O amanhã e suas preocupações

Quem sofre de ansiedade, como eu, de vez em quando se depara com momentos de incerteza que trazem grande angústia ao coração. O pensamento excessivo em decisões que implicarão grandes mudanças no futuro não tira apenas o sono, tira também a tranquilidade e a alegria de espírito. Nesses 22 anos e alguns meses de vida, só recentemente pude perceber que, por mais que eu planeje milimetricamente cada passo, cada dia, cada ação, as coisas não necessariamente acontecerão como eu queria, como eu planejei. E que bom que as coisas são assim, afinal, grande parte das coisas boas (ou todas) que me aconteceram nos últimos anos não estavam sequer previstas no meu cronograma ou projeto inicial.

Como cristão que sou, pessoa imperfeita que se reconhece cheia de erros (e que encontra em Jesus redenção), tenho tentado melhorar nesse sentido. A Bíblia nos exorta a não termos preocupações exageradas em diversos versículos. Um exemplo disso é “Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Salmos 37:5 NVI). Essa talvez seja uma das afirmações mais confortantes das escrituras. Confortante, mas difícil de cumprir. Como é difícil entender que não, eu não tenho o controle das coisas. Como é difícil aceitar que, por mais que eu pense e repense milhares de vezes, não terei nenhum poder efetivo sobre o futuro. Como é difícil entregar meus anseios e preocupações para Deus, como é difícil “matar” esses processos de preocupações que insistem em executar, ocupando a memória necessária para fazer outras coisas…

Por outro lado, como é maravilhoso poder desfrutar do grande amor de Deus e de sua misericórdia quando finalmente consigo confiar plenamente nEle. Afinal, é Ele quem tem o melhor para mim. Por isso, acredito que um dos maiores desafios cristãos, ao menos para este que vos escreve, está justamente em aprender a descansar e a confiar plenamente em Deus, no sentido mais profundo que essa palavra possa ter. Trabalhar, ter dedicação, mas aprender a entregar a Ele nossos anseios e preocupações. Pensar no futuro sim, mas não a ponto de não viver o presente ou considerá-lo apenas como um “meio” para uma “finalidade”. Afinal, como disse Jesus, “não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”. (Mateus 6:34)

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