A gente, o cachorro e a corrente

Carla amava seu cachorro, Dock, um vira-lata que encontrou abandonado na rua enquanto voltava na escola. Depois de tantos anos, o cachorro já era considerado da família: havia recebido todos os cuidados necessários pelo melhor médico veterinário da cidade e nem se parecia mais com aquele animalzinho maltratado que havia sido encontrado na rua. Dock vivia livre pela casa e sempre acompanhava Carla onde quer que ela fosse.

Acontece que, um dia, a família de Carla recebeu a visita de sua tia Maria. Maria havia dado à luz recentemente a um bebê, Ricardo, que começara a engatinhar. Como Dock gostava de pular nas pessoas para brincar, Carla achou melhor amarrá-lo enquanto Ricardo desbravava o espaço da casa.

Não demorou muito para que Carla ouvisse Dock latindo e chorando. O cachorro havia se enrolado num pilar que havia na área. Com isso, o raio pelo qual podia se deslocar havia diminuído drasticamente. Dock não conseguia pensar numa saída para aquela situação. Sua única ação foi chorar e clamar pela compaixão de sua dona enquanto pulava tentando escapar daquilo. Para Carla, no entanto, aquela situação poderia ser facilmente resolvida: bastava Dock dar umas voltas em sentido contrário para sair daquela espécie de prisão. E assim ela fez.

A nossa vida não é diferente. Muitas vezes nos enrolamos nos planos que fazemos, nas atitudes que tomamos e nas expectativas que criamos. Quantas vezes nos encontramos na mesma situação que Dock? Ficamos ali presos, encurralados, sem sequer enxergar uma solução para o momento difícil que enfrentamos. Buscamos entender o que está acontecendo e, até mesmo, culpamos Deus num momento de raiva. “Por que Carla foi me amarrar aqui?”, poderia perguntar Dock se fizesse o que nós, humanos ingratos, vivemos fazendo.

É interessante pensar que, enquanto Dock não via solução para o seu problema, assim como nós muitas vezes não enxergamos a solução para os nossos, para Carla tudo poderia ser resolvido facilmente. E nossos problemas, por maiores que possam parecer para nós, têm solução fácil para Deus. Não vemos a solução, mas Ele vê.

Quando estava preso e cansado de suas tentativas para sair de onde estava, Dock prontamente chorou e clamou pelo socorro de Carla. Será que temos feito o mesmo em relação a Deus? Temos confiado nele e entregado a Ele nossos sonhos, projetos, angústias, sofrimentos e preocupações?

2 comentários Adicione o seu

  1. Aefe disse:

    hahaha a história é ao mesmo tempo divertida e encantadora kkk quantas vezes eu mesmo não estive enrolado no cachorro, hahah
    parabéns! Continue escrevendo!

    1. Renan disse:

      hahaha Muito obrigado, Aefe! 🙂

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