Pensando sobre o perdão

Nas últimas semanas tenho visto algumas notícias surpreendentes a respeito de algo chamado perdão, desde mães perdoando os assassinos de seus filhos até um homem que perdoou sua companheira após ela envenená-lo por duas vezes. Perdão é daquelas pequenas palavras que representam algo profundo e, muitas vezes, difícil. Você já se perguntou quantas vezes perdoou alguém? Jesus disse que precisamos perdoar “não até sete (vezes), mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:22). Quando eu era criança, por audácia e ignorância, pensava: “nossa, até que não é muito”.

Naquela época, mal sabia eu o que era o perdão. A verdade é que, para nós, o verdadeiro perdão é algo muito difícil de ser concebido. Por isso, muito provavelmente sobraram dedos nas mãos quando você tentou responder à pergunta do parágrafo anterior. Na maioria das vezes, o que fazemos é “desculpar” alguém por algo que tenha nos feito. Achamos que perdoamos, mas sempre lembramos de tudo na primeira discussão ou em algum momento de desconfiança. O perdão, por sua vez, é algo bem mais profundo: de acordo com o dicionário Aurélio, é a “remissão de culpa, dívida ou pena”.

É claro que Cristo, naquele versículo, não estava colocando um limite de vezes pelas quais devemos oferecer perdão. O significado é outro, mas não vem ao caso discuti-lo agora. O que importa é que o perdão é um ato divino, que o próprio Deus faz por nós por meio de seu filho Jesus, pois “nEle temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus” (Efésios 1:7).

Assim como é difícil pedir perdão a alguém com quem você errou muito, pedir perdão a Deus, ao contrário do que muita gente pensa, pode não ser uma tarefa fácil e simples como falar “desculpa, Deus” e pronto. Muitas vezes, de tão envergonhados pelo nosso erro, temos vontade de nos escondermos de Deus, da mesma forma que uma criança evita encarar os pais após algo fazer errado. Nessas situações, preferimos fingir que nada aconteceu do que encarar a realidade.

De certa forma, esse processo difícil de reconhecer o próprio erro tem seu lado positivo: se não fosse assim, poderíamos viver uma vida pecaminosa sem preocupação, pois depois bastaria pedir perdão da mesma forma que falamos “bom dia” ao atendente da padaria. Poderíamos usar drogas, roubar, e depois apenas pedir perdão como uma forma de “limpar a nossa ficha” ou “cumprir tabela”.

Isso não quer dizer que você não deve pedir perdão de seus pecados quando errar e se arrepender, muito pelo contrário. A Bíblia nos diz que “não há homem justo sobre a face da terra que faça o bem e que não peque” (Ecleasistes 7:20). No entanto, é preciso que tenhamos um coração arrependido e humilde, quebrantado, pedindo ao Pai misericórdia e perdão por termos errado mais uma vez.  Não importa se você errou muito ou pouco, a boa notícia é o que pedido sincero de perdão tem uma resposta maravilhosa de Deus que, com sua graça, afasta de nós a culpa e a acusação. O perdão é algo libertador, que tira o peso do pecado e nos dá esperança.

Além disso, assim como Deus nos perdoa, precisamos perdoar os nossos semelhantes. Jesus nos ensina isso quando nos apresenta a oração do Pai Nosso: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Você tem alguma mágoa ou se lembra de alguém que ainda não recebeu o seu perdão? Peça ao Pai que quebrante o seu coração para que você possa liberar perdão para quem ainda fere o seu coração. Fique com a certeza de que isso só te fará bem e faça dessa canção a sua oração:


1 comentário Adicione o seu

  1. Ju Mendonça disse:

    Euuuuuuuu não acredito que é você Renan!!!!!
    Encontrei esse blog por acaso, totalmente aleatório e AMEI saber que era você!
    Que surpresa boa!

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