O carrinho de feira

Era tarde de quinta-feira e eu voltava para casa após um dia cheio de atividades na universidade. Sentei-me no primeiro banco do primeiro vagão do Metrô, onde algumas estações depois entrou uma senhora com um carrinho de feira. Ela olhou para o banco em que eu estava sentado, olhou para o outro e, vendo que estavam ambos vazios, decidiu ir para o outro lado. Na próxima estação, entrou no vagão uma família e decidi ceder meu lugar para que os três (um senhor e dois jovens, que imagino serem seus netos) sentassem próximos. Fiquei em pé e fui para o outro lado, no espaço entre a porta e o ferro que separava o banco no qual a “senhora do carrinho” tinha sentado.

Estava ouvindo música quando vejo que o senhor para o qual cedi o lugar sinalizava algo para mim. Por um momento, achei que ele estava agradecendo novamente. Após sua insistência, pensei que estava recomendando que eu sentasse no banco ao lado da tal senhora, mas expliquei que já ia descer dali duas estações. Eis que, então, ele aponta para a senhora e diz: “ela está falando com você”. Surpreso, virei para ela e, educadamente,  me convidou para sentar. Expliquei novamente que desceria em pouco tempo.

Quebrada a barreira, ela começou a conversar comigo e me contou uma história que, pelo que eu imagino, a deixou bastante emocionada: A Dona Maria (vou chamá-la assim) estava vendendo alguns produtos na rua (se não me engano, frutas) para sustentar sua família quando foi abordada por fiscais da Prefeitura (o popular “rappa”). Estes, por sua vez, levaram todo o seu material de trabalho. Naquele momento, disse-me ela,  ficou muito angustiada, pois seu meio de sustento estava sendo levado pelo governo. Eis que surge a luz no fim do túnel: um senhor, vendo a situação de Dona Maria, resolveu ajudá-la entregando-lhe um novo carrinho de feira. “Eu tinha perdido, mas ganhei de novo”, disse-me ela com um brilho de gratidão em seus olhos.

Segundos depois, a gravação do Metrô anuncia a próxima estação e, então, despeço-me dela, desejando boa sorte e que Deus continue abençoando ela. Sorridente, retribui-me com um: “a você também, que Deus dê muita saúde e abençoe muito os jovens”.

O que o tal senhor fez pela Dona Maria é, em suas devidas proporções, bem similar ao que Jesus fez por nós: nós tínhamos perdido tudo, mas Ele nos deu tudo.  Assim como o senhor foi a luz no fim do túnel para a Dona Maria, Jesus é a luz que brilha nos mostrando o caminho quando não vemos saída.

Certamente o senhor tinha um apreço pelo seu carrinho, pois pagou por ele, mas abriu mão do mesmo para ver o bem de outra pessoa. O sacrifício de um pode transformar a vida de muitos, como a família da Dona Maria. E é isso que Jesus fez por nós. Sendo Deus, veio a Terra e suportou um grande sacrifício para a causa mais nobre possível: Ele morreu para nos dar a vida.

Ao ganhar o carrinho, a Dona Maria ficou feliz e passou a compartilhar sua felicidade com outras pessoas. E é assim que devemos nos comportar a respeito de Jesus: sermos gratos, fiéis e compartilhamos o seu amor com outras pessoas. Que, um dia, possamos todos estar com o brilho de gratidão ao Pai em nossos olhos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *